A escola oferece recuperação paralela a todo aluno que fecha o trimestre abaixo de 7,0 numa disciplina. A pergunta da direção é direta: isso funciona?
Responder exige separar duas coisas que costumam ser confundidas. A nota do boletim melhora quase sempre — mas isso é consequência da regra de cálculo, não prova de aprendizado. O desempenho na prova de recuperação é outra história, e é ali que se vê se o aluno de fato avançou. Este painel mostra as duas medidas lado a lado.
Validada em 584 de 584 casos alterados em 2026, e em 874 de 874 em 2025:
Média final do trimestre = média entre a nota original e a nota da recuperação
— aplicada somente quando isso beneficia o aluno
Duas consequências que atravessam todo o painel. Primeira: a nota do boletim nunca cai por causa de uma recuperação — quando o aluno vai pior na prova, a nota original é mantida. Segunda: como é média, o ganho máximo possível é metade da distância até 10. Um aluno com 3,0 que tire 10 na recuperação chega a 6,5 — nunca a 7,0.
O indicador mais direto de eficácia: entre os alunos que entraram na recuperação abaixo do limiar de aprovação, quantos passaram a atingi-lo depois. Quebrado pela nota de partida, aparece o padrão mais desconfortável da análise.
À esquerda, o ganho que aparece no boletim. À direita, como o aluno realmente foi na prova de recuperação. A diferença entre os dois é exatamente o efeito da regra de cálculo.
Média consolidada menos média original. Nunca negativo, por construção da regra.
Nota da recuperação menos média original. Aqui as quedas aparecem.
Taxa de recuperação efetiva por série. A 3ª série do EM aparece sempre no topo, mas por um motivo que não é desempenho: ela aprova com 6,0, enquanto as demais precisam de 7,0. A régua é mais curta.
A nota do trimestre é (AV1 + AV2 + AV3) ÷ 2, onde AV1 e AV2 valem até 5 pontos e a AV3 vale até 10. Metade da nota depende de uma única prova — e é nela que o grupo em recuperação mais se distancia dos demais.
Percentual de alunos encaminhados à recuperação em cada disciplina. Ordenado por taxa, não por volume — o que revela onde a dificuldade é proporcionalmente maior, e não apenas onde há mais alunos.
Só 2025 tem o ano fechado. Acompanhando quem fez recuperação no 1º trimestre até a média final, o quadro é o seguinte.
Cada linha é uma combinação de unidade, série e disciplina no filtro atual. Clique num cabeçalho para ordenar. Células com menos de 10 casos aparecem atenuadas — não devem ser lidas isoladamente.
| Ano | Série | Disciplina | Em recup. | Elegíveis | % encaminhado | % recuperou | Ganho boletim | Ganho prova | % piorou |
|---|
Como ler estes números. Nada aqui estabelece causalidade. São associações medidas sobre a população real da escola, com controle pela nota de partida onde a comparação exigia. Onde o número de casos é pequeno, o painel sinaliza — e recortes com menos de 10 alunos não sustentam conclusão.